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quinta-feira, abril 16, 2026

DEPOIS DA INDEPENDÊNCIA

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“A independência era uma simples questão de ganhar a guerra. Os grandes sacrifícios viriam depois”

A frase foi dita por Simón Bolívar, e reproduzida por Gabriel Garcia Márquez na sua obra O General em seu Labirinto. O livro mostra a decadência política e pessoal do libertador sulamericano, fracassado em seu sonho de construir uma única pátria em terras americanas, apesar de ter vencido as guerras da independência contra a coroa espanhola.

Vencer uma guerra não é tão difícil. Mesmo exércitos improváveis no momento certo da história podem se sagrar vencedores. O desafio é o que vem depois. Não se trata de um ato de força, ou de coragem, mas um processo de construção. Lento e gradual.

O homem, porém, não é dado à espera. Quer ver a construção erigida tão logo se lance o alicerce. Bolívar constatou essa verdade com amargor, quando quis transformar seus generais e soldados em políticos e legisladores e viu-se enredado num cipoal de despreparo, vaidades e facções locais.

No dia 7 bastou um grito e uma negativa em atender ao ultimato das Cortes Gerais. A partir do dia 8 começou um longo processo de arregimentar um exército nacional, negociações diplomáticas com a comunidade internacional, debelar conflitos locais, construir acordos com as lideranças nacionais e estabelecer um novo governo. A independência oficial só veio três anos depois, em 1825.

E o projeto de país continua em construção quase duzentos anos depois. Após avanços e recuos, o desafio continua posto, de construir um estado que articule ordem e liberdade, respeito aos direitos individuais e exercício harmônico entre os poderes. Não há soluções prontas, nem são gritos ou ordens judiciais que irão levar ao cenário político ideal.

A independência era questão de ganhar a guerra. O desafio viria depois. O desafio sempre vem depois. A batalha eleitoral de 2022 está à frente e os exércitos se reunindo. Ganhar a guerra – ou as eleições – ainda é percebido como a única e grande batalha.

A dificuldade e os sacrifícios, porém, vêm depois. Quando, de todos os lados, deve-se depor as armas e transformar soldados em cidadãos, generais em estadistas, e saber que a maioria dos problemas não serão resolvidos com um simples ato, como uma eleição, um impeachment, uma prisão, uma grande reforma, uma decisão judicial ou o que quer que seja, mas em um longo e contínuo processo de negociação e acordos recíprocos a partir do arcabouço institucional.

No dia 7 bastou um grito. Estamos ainda hoje no dia 8.

Rodrigo Bedritichuk é brasiliense, servidor público, pai de duas meninas e autor do livro de crônicas Não Ditos Populares

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