Depredar o patrimônio histórico: pode ou não pode?

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Literatura pode ser usada de forma lúdica para abordar fatos históricos reais. Livro Incêndio no Museu, da escritora Isa Colli, é exemplo

O ano letivo começa em fevereiro na maioria das escolas públicas e privadas do país. Um tema importante que deve entrar nos debates e até no currículo escolar é o ataque ocorrido no dia 8 de janeiro de 2023, quando vândalos invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes da República, em Brasília.

E aí surge a pergunta: como abordar esse assunto nas escolas de forma a envolver os alunos e mostrar a responsabilidade que cada cidadão tem com a conservação do patrimônio público?

Segundo a doutoranda da UERJ, mestra em Educação Básica e professora da rede pública, Adriana Querido, “Os episódios de destruição ocorridos no dia 08 de janeiro de 2023 nos assustam e causam perplexidade, pois vão além da destruição do bem público, mas de nossa memória e cultura que não foram valorizadas, tampouco preservadas. Como professora, reconheço a minha função e meu papel social além dos muros da escola. Entretanto é nela que, como um microcosmo da sociedade e local onde relações são construídas, que a difusão e reconhecimento da cultura e das artes deve começar”, ressalta Adriana.

A educadora afirma que a escola, com seus profissionais e ações como espaço de conhecimentos culturais e trocas entre os pares, também é de suma importância no processo de reconhecer a nossa cultura.

Para Isa Colli, escritora do livro Incêndio no Museu, publicado pelo selo Colli Books, “é preciso ensinar às  crianças que o patrimônio do Estado existe para servir às necessidades coletivas e, portanto, a sua preservação é um dever. Precisamos explicar as diferenças entre Patrimônio Material, Patrimônio Imaterial, Patrimônio Arqueológico e Patrimônio Mundial e como cada um deve se comportar”, ressalta. 

Em ‘Incêndio no Museu`, Isa Colli mostra às crianças a valorização do Museu Nacional, espaço tão importante, que um dia abrigou a família imperial e foi atingido por um trágico incêndio em 2018.  

Na história infantil, os bichos do jardim zoológico são os heróis que ajudam os bombeiros a apagar o fogo do local. Ficção e realidade se misturam num enredo recheado de conhecimento e aventura em busca da preservação do centro de pesquisa mais antigo do país.

Uma das cenas marcantes do livro é o resgate do crânio de Luzia, o fóssil mais antigo das Américas. Na ficção, a bicharada também consegue salvar o meteorito Bendegó, que na vida real foi encontrado intacto depois do incêndio. Liderados pelo macaco Lincon, os animais dão exemplo de heroísmo ao encarar as chamas para recuperar outras peças arqueológicas e relíquias do acervo. Para Isa, nada trará de volta o que as chamas consumiram naquele dia, mas ela conta que esta obra é oportuna para falar sobre a prevenção do nosso patrimônio.

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