20.3 C
Brasília
sábado, junho 27, 2026

Depredar o patrimônio histórico: pode ou não pode?

Date:

Share post:

Literatura pode ser usada de forma lúdica para abordar fatos históricos reais. Livro Incêndio no Museu, da escritora Isa Colli, é exemplo

O ano letivo começa em fevereiro na maioria das escolas públicas e privadas do país. Um tema importante que deve entrar nos debates e até no currículo escolar é o ataque ocorrido no dia 8 de janeiro de 2023, quando vândalos invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes da República, em Brasília.

E aí surge a pergunta: como abordar esse assunto nas escolas de forma a envolver os alunos e mostrar a responsabilidade que cada cidadão tem com a conservação do patrimônio público?

Segundo a doutoranda da UERJ, mestra em Educação Básica e professora da rede pública, Adriana Querido, “Os episódios de destruição ocorridos no dia 08 de janeiro de 2023 nos assustam e causam perplexidade, pois vão além da destruição do bem público, mas de nossa memória e cultura que não foram valorizadas, tampouco preservadas. Como professora, reconheço a minha função e meu papel social além dos muros da escola. Entretanto é nela que, como um microcosmo da sociedade e local onde relações são construídas, que a difusão e reconhecimento da cultura e das artes deve começar”, ressalta Adriana.

A educadora afirma que a escola, com seus profissionais e ações como espaço de conhecimentos culturais e trocas entre os pares, também é de suma importância no processo de reconhecer a nossa cultura.

Para Isa Colli, escritora do livro Incêndio no Museu, publicado pelo selo Colli Books, “é preciso ensinar às  crianças que o patrimônio do Estado existe para servir às necessidades coletivas e, portanto, a sua preservação é um dever. Precisamos explicar as diferenças entre Patrimônio Material, Patrimônio Imaterial, Patrimônio Arqueológico e Patrimônio Mundial e como cada um deve se comportar”, ressalta. 

Em ‘Incêndio no Museu`, Isa Colli mostra às crianças a valorização do Museu Nacional, espaço tão importante, que um dia abrigou a família imperial e foi atingido por um trágico incêndio em 2018.  

Na história infantil, os bichos do jardim zoológico são os heróis que ajudam os bombeiros a apagar o fogo do local. Ficção e realidade se misturam num enredo recheado de conhecimento e aventura em busca da preservação do centro de pesquisa mais antigo do país.

Uma das cenas marcantes do livro é o resgate do crânio de Luzia, o fóssil mais antigo das Américas. Na ficção, a bicharada também consegue salvar o meteorito Bendegó, que na vida real foi encontrado intacto depois do incêndio. Liderados pelo macaco Lincon, os animais dão exemplo de heroísmo ao encarar as chamas para recuperar outras peças arqueológicas e relíquias do acervo. Para Isa, nada trará de volta o que as chamas consumiram naquele dia, mas ela conta que esta obra é oportuna para falar sobre a prevenção do nosso patrimônio.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

spot_img
publicidade

Related articles

PaulOOctavio lança 6Sul, novo empreendimento com lazer completo e localização estratégica em Brasília*

Projeto reúne apartamentos, gardens e coberturas em uma das regiões com maior potencial de valorização da capital federal_ A...

Produção de uva dobra em quatro anos em Goiás, impulsionando a vitivinicultura e o surgimento de novos destinos

A produção de uva em Goiás saiu de 1.516 toneladas, em 2020, para 3.264 toneladas, em 2024, permitindo...

PSB aposta em Cappelli para disputar o Buriti em 2026

Por: Marcelo Torres Com Rollemberg e Cristovam na nominata, partido quer montar uma frente que vai além da esquerda O...

O BRB está tecnicamente quebrado e ainda paga R$ 42,6 milhões ao Flamengo”, diz deputado Ricardo Vale

  Em entrevista, parlamentar do PT-DF cobra transparência sobre patrocínio renovado pelo banco público em meio ao rombo bilionário...