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segunda-feira, junho 1, 2026

O Grupo de Mães vai dominar o mundo

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O Grupo de Mães vai dominar o mundo

Eles já impactaram famílias, alteraram comércio e até derrubaram governos.

Eles são sorrateiros, onipresentes e possuem uma força descomunal que tem sido negligenciada por analistas – são os grupos de mães no Whatsapp.

Todo lugar tem um, toda mãe participa de uns cem. 

Quem acha que o único propósito desses grupos é fomentar brigas em torno de parto humanizado ou da abertura das escolas na pandemia está enganado. 

Esses grupos funcionam como uma mistura de conselho deliberativo e sociedade secreta que tem ditado os rumos da sociedade. 

Aqui no meu bairro, por exemplo, há pelo menos 3 grupos de mães no Whatsapp, todos com lotação máxima e lista de espera. Pois esse grupo define que estabelecimento comercial terá sucesso ou não. 

Abriu uma padaria nova. Uma mãe criticou no grupo, outra também, e depois, em menos de um dia, organizou-se um boicote. Três meses depois a padaria estava fechando. Já lojas de roupa com preços inacessíveis e qualidade duvidosa sobrevivem muito bem pois caíram nas graças dos grupos de mães.

A publicidade, por isso, está mudando. Já não se trata de pagar anúncios na televisão nem mesmo nas redes sociais. O mais importante agora é pagar para alguma mãe influencer em algum grupo de mães, e o trabalho da publicidade está feito. 

A política também está mudando. Já há governos que consideram abolir o diário oficial e postar seus atos administrativos nos grupos de mães. É o meio mais eficiente e rápido de divulgar uma informação. Veja-se, por exemplo, o caso da pandemia. Todo decreto novo, antes de ser publicado, já havia sido postado e debatido à exaustão em algum grupo de mães.

A medicina é outro ramo em rota de alteração. Conselhos de medicina estão entrando com ações na justiça pedindo o bloqueio desses grupos. De um lado, pediatras e suas acusações de exercício ilegal da medicina; de outro, mães argumentando que estão apenas ajudando outras mães em desespero quando o filho está com febre, pois de madrugada, quem está a postos para acudir uma mãe e sanar dúvidas sobre doenças e medicamentos não são os pediatras, mas sim alguma mãe de algum grupo.   

Na última reunião de condomínio, uma mulher sugeriu a criação de um grupo de Whatsapp para facilitar a comunicação e resolver problemas frequentes. A proposta foi vetada, naturalmente, pois ninguém queria fazer parte de mais um grupo; e até porque o grupo das mães do bloco já dava conta do recado. De fato, quando falta luz, por exemplo, são as mães que nos comunicam a causa do problema e qual a previsão do conserto, além de definirem uma série de outras questões, como a troca do porteiro ou a aprovação de taxa extra. 

O problema é que a referida mulher não era mãe. Para o bem de todos, abriu-se uma honrosa concessão e a deixaram participar do grupo. Ela, por sua vez, ficou toda feliz como se tivesse recebido um green card. 

Um famoso sociólogo austríaco diz que assistimos à volta de um matriarcado por vias digitais, e vê com preocupação esse fenômeno pelo seu potencial de autodestruição: “O processo decisório pode travar quando acumularem mais de 2 mil mensagens não lidas, há as indisposições diárias e teor antidemocrático das administrações dos grupos… enfim, acho que uma hora ou outra o sistema implode”. 

Já muitas mães, inebriadas com esse gosto do poder, estão a entoar um grito: “Mães de todos os grupos, uni-vos”.

 

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