Aos 62 anos, o empresário, ex-professor de Matemática e presidente licenciado do Sindicombustíveis-DF disputa uma vaga na Câmara Federal defendendo menos tributos sobre combustíveis, mais transparência na formação de preços e o fortalecimento da Petrobras como instrumento de soberania energética e econômica do Brasil.
“O problema não é o posto, é o imposto.”
Em Brasília, poucas figuras do setor de combustíveis se tornaram tão reconhecíveis ao grande público quanto Paulo Roberto Corrêa Tavares.
Nos últimos anos, foi ele quem apareceu repetidas vezes em entrevistas, vídeos e análises sobre a formação dos preços da gasolina, tentando traduzir para o consumidor um tema que costuma chegar à bomba cercado de indignação, ruído político e pouca informação técnica.
Agora, aos 62 anos, o empresário e presidente licenciado do Sindicombustíveis-DF leva essa pauta para a arena partidária: é candidato a deputado federal pelo PDT.
Nascido em Brasília, filho de um potiguar que chegou à nova capital no pau de arara e de uma goiana nascida na zona rural, Paulo gosta de se definir como nascido e criado no Distrito Federal.
Sua trajetória combina serviço público, sala de aula, tecnologia e militância sindical. Formado em Matemática e em Ciência da Computação pela Universidade Católica de Brasília, dedicou 34 anos ao magistério na rede pública e acumulou experiência em gestão, orçamento e sistemas de informação, com passagens pela Secretaria de Fazenda e por áreas técnicas da administração pública.
Antes de se tornar uma voz pública no debate sobre combustíveis, Paulo transitou por diferentes campos da vida institucional brasiliense. Trabalhou com planejamento, tecnologia e gestão pública, participou de projetos ligados ao governo Cristovam Buarque(1995- 1998).
Teve, ainda, atuação sindical e manteve vínculos com a militância progressista. O ingresso no setor de combustíveis veio mais tarde, a partir da compra de um posto em 2012, episódio que, como ele próprio relata, mudaria o rumo de sua vida profissional.
Foi nesse mercado em que Paulo se projetou e consolidou a convicção que agora pretende levar ao Congresso: a de que o debate sobre combustíveis no Brasil segue mal explicado e frequentemente capturado por simplificações.
Para ele, a discussão sobre preços, distribuição, Petrobras e carga tributária precisa ser enfrentada em escala nacional, razão pela qual aceitou o convite de Carlos Lupi para se filiar ao PDT e disputar uma cadeira na Câmara.
No centro de sua candidatura está uma defesa enfática da maior estatal brasileira como ativo estratégico do país. “Eu sou um defensor da Petrobras. É um patrimônio público”, afirma. A seu ver, o Brasil não pode abrir mão da empresa nem da tecnologia acumulada no pré-sal, sob pena de comprometer sua soberania econômica. É esse o eixo da candidatura que tenta construir: menos imposto, mais transparência e uma política energética capaz de proteger o consumidor sem desmontar um patrimônio nacional.
Você costuma dizer que é brasiliense “nascido e criado”, mas a história da sua família se confunde com a própria formação de Brasília. Como foi essa chegada?
Meu pai veio do interior do Rio Grande do Norte, literalmente no pau de arara. Levou duas semanas para chegar. Minha mãe é de Corumbá de Goiás. Eles se casaram e mudaram para Brasília em 1959. Eu nasci em 1964. Então sou nascido e criado aqui.
Sua trajetória passou pela matemática, pela computação, pelo serviço público e pelo magistério. Como foi esse percurso na sua formação?
Eu queria trabalhar com tecnologia. Fiz Matemática e depois Ciência da Computação. Passei em concurso para professor e policial civil e escolhi ser professor. Trabalhei com orçamento, software, gestão pública, conheci a política por dentro e fui me envolvendo mais com esse campo progressista.
E como o setor de combustíveis entrou na sua vida?
Entrou de forma inesperada. Eu tinha um primo que mexia com posto, frequentava um posto na Asa Norte e, anos depois, surgiu a chance de comprar um. Foi uma negociação muito rápida, a partir de um apartamento que eu e minha esposa tínhamos comprado com muito sacrifício.
Quando você fala dos preços dos combustíveis, insiste que o setor é mais complexo do que parece. Onde está esse desencontro de percepção?
As pessoas veem a Petrobras anunciar um preço e depois olham a bomba e acham que o dono do posto está ganhando uma fortuna. Não entendem toda a cadeia até chegar ao posto. Esse é um mercado muito delicado e complexo.
Foi essa necessidade de explicação que te transformou em uma voz pública sobre o tema?
Sem dúvida. Eu tenho facilidade para explicar, talvez por ter sido professor tantos anos. Comecei a fazer intervenções, vídeos, a falar sobre formação de preço, imposto, distribuição. Isso ganhou alcance, inclusive fora de Brasília.
Como se deu sua ida para o PDT?
Eu estava no PT e tinha dificuldade de espaço para fazer esse debate. O Carlos Lupi me convidou para o PDT justamente por essa pauta: a defesa da Petrobras, da soberania energética e de uma política nacionalista do petróleo.
Sua defesa da Petrobras é muito enfática. Por quê?
Porque a Petrobras é um patrimônio nacional. O pré-sal é uma riqueza imensa. A tecnologia desenvolvida ali é nossa. Eu não acho admissível abrir mão disso. O Brasil precisa preservar o que tem de estratégico e usar isso para fortalecer sua economia.
E por que essa pauta passa pela Câmara Federal?
Porque essa é uma discussão nacional. Não é uma pauta para deputado distrital. A questão da Petrobras, da tributação dos combustíveis, da reforma tributária, tudo isso passa pelo Congresso Nacional.
Você também tem falado bastante da reforma tributária. Onde está sua principal preocupação?
Minha preocupação é deixarem os combustíveis fora da lógica geral da reforma e manterem uma tributação muito pesada. Se isso acontecer, o consumidor continua pagando demais. A luta é para que o combustível entre no mesmo caminho da reforma e possa baratear de verdade.
Como você avalia o começo da campanha?
É muito difícil. Quem já é parlamentar larga na frente, porque já é conhecido. Então o desafio é fazer as pessoas saberem quem eu sou e o que eu defendo.
Se eleito, qual é a luta que você quer travar em Brasília?
Quero fazer essa luta com independência. Menos imposto, mais dinheiro no bolso do povo, mais transparência, defesa da Petrobras e enfrentamento dos lobbies que hoje ninguém quer enfrenta














