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quarta-feira, julho 24, 2024

Nós estamos morrendo

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O texto abaixo foi escrito pela candidata a deputada federal Rayssa Tomáz e fala a respeito dos direitos das mulheres no Brasil

Nós estamos morrendo.

Não faço esta constatação baseada em conceitos filosóficos sobre a vida. Estamos sendo assassinadas. Ocupamos o quinto lugar no ranking do feminicídio mundial. Somos treze vítimas todos os dias. Temos mais de 4 mil processos na Delegacia da Mulher do DF. 1,2 mil mulheres são violentadas por mês em nossa cidade. Somos um dos recordistas no registro deste tipo de crime em todo o país. De ontem pra hoje, morremos três vezes. Estes dados podem parecer repetitivos, entoados dia a dia, como um mantra. Este é o nosso sofrimento em roupagem numérica.

Não dá mais. Não dá mais tempo.

Pelos cálculos estatísticos, a cada 7 minutos registramos ocorrências de violência contra a mulher. Só durante o tempo que eu escrevi o primeiro enunciado, duas mulheres podem ter sido agredidas. Elas são desconhecidas. Em sua maioria, vivem em situações de vulnerabilidade social mas isso me parece muito mais um disfarce social. A violência está em todas as camadas sociais, muito embora algumas se esforcem mais para jogar a sujeira para debaixo do tapete. Parecem estar distante da nossa realidade.

Temos dados alarmantes sobre violência no transporte público. Quase 90% das usuárias afirmam já terem sido abusadas ou terem sofrido situações de constrangimento. Não temos direito as cidades. Nossos trajetos são mais perigosos; podemos não voltar. Temos medo de andar pelas ruas. Que Estado de direito é esse que nos limita ao direito de ir e vir?

Se precisamos sobreviver, como poderemos prosperar?

Foto: Reprodução/Facebook

Meu pesar é por sabermos que existe uma tendência a menosprezar nosso pleito. Embora sejam visíveis os esforços dos governos em instituições para frear os casos de violência, ainda não chegamos no ponto primordial; precisamos ser combativos contra o machismo. Precisamos de uma cultura de paz, de convivência harmoniosa, de discurso propositivo. Precisamos combater a impunidade, precisamos de políticas positivas e estruturais. Precisamos de tecnologia aliada à segurança. Precisamos dos homens caminhando junto com a gente, lado a lado, contra o machismo que mata. O machismo mata mulheres. Necessitamos mais representação. Precisamos de um novo pacto social em que seja um pesar para todos enterrar de mais uma filha e mais uma mãe. Abracemos a ideia de que “O BRASIL NÃO TOLERA VIOLÊNCIA CONTRA MULHER”.

Parece histeria, não é? Mas imagine conviver com o medo de virar mais um número.

Quando lemos números, não conseguimos assimilar as realidades. Para a maioria de nós; estatística. Para os familiares e amigos, histórias de vida abruptamente encerradas. Elas devem sempre ganhar um nome e um rosto. Poderia ter sido eu ou você, mas foram Anne Mikaelly, Palloma Lima, Clésia Andrade e Ieda Rizzo Adriana Castro Rosa, Louise Ribeiro, Janaina Romao, Jessyka Laynara, Carla Grazyele, Marilia Jane e tantas outras.

A candidata a deputada Federal pelo PV, Rayssa Tomáz, aproveita a oportunidade para convidar para o Lançamento da Frente Suprapartidária Feminina hoje às 19h no auditório do IDP em Brasília. Na ocasião estarão presentes o governador do DF, Rodrigo Rollemberg, a Professora Fátima Sousa, a candidata Leila do Vôlei dentre outras 55 candidatas de 12 partidos diferentes.

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